REDUÇÃO
DA JORNADA DE TRABALHO PARA 40 HORAS JÁ!
O debate sobre
a redução
da jornada de trabalho no Congresso Nacional
Nesta semana, a campanha
pela redução da
jornada de trabalho sem redução de
salários levou novamente o movimento sindical brasileiro
a Brasília, com o objetivo de
mostrar aos parlamentares a importância da adoção
desta medida para os trabalhadores e o
país. Com o desenrolar dos debates na Câmara
dos Deputados, mais uma vez os
empresários e seus representantes manifestaram sua
posição contrária à proposta.
O DIEESE, entidade criada
pelo movimento sindical e que há 54 anos realiza
estudos, pesquisas e análises de temas de interesse
dos trabalhadores, tem acompanhado as
centrais sindicais na luta pela aprovação
dessa proposta. Por meio desta nota, a instituição
volta a reafirmar que o Brasil apresenta condições
para implementar a redução da jornada
de trabalho, bem como tem necessidades que demandam a
adoção
dessa medida, o que
pode ser visto nos itens seguir:
a)
O custo com salários no Brasil é muito
baixo quando comparado com outros países,
segundo informações do Departamento de Trabalho
Americano. Assim, a redução da
jornada de trabalho não traria prejuízos à competitividade
das empresas brasileiras.
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b) Em relação aos encargos sociais no Brasil,
os empresários defendem a tese de que estes representam
102% do salário dos trabalhadores, partindo
de um cálculo que não é correto.
Vários itens considerados encargos nessa
conta são, na verdade, parte da
remuneração do trabalhador. Encontram-se
nesta situação o pagamento de férias,
13º salário, descanso
semanal remunerado, FGTS. Tudo isso vai para o trabalhador
e,
portanto, não é encargo social.
Encargos
sociais são aquela parcela do custo do
trabalho que não vai para o bolso
do trabalhador, como é admitido pelos próprios
consultores empresariais. São a
contribuição para o Instituto Nacional de
Seguridade Social (INSS), para o Serviço
Social da Indústria (Sesi), o Serviço Nacional
de Aprendizagem Industrial (Senai) e
demais instituições que compõem
o Sistema S, para o Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra),
para o seguro de acidentes do trabalho, para o
salário educação e para o Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(Sebrae). No conjunto, representam 25,1% da remuneração
total do trabalhador.
Desta
forma, um trabalhador contratado com um salário
mensal na carteira de R$
1.000,00, recebe, em média, R$ 1.229,10 por mês,
pois neste valor estão considerados
3
outros itens integrantes de sua remuneração.
Ou seja, também está incluído
o que ele
recebe de 13º salário, de adicional de 1/3
de férias, de Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço (FGTS) – que é um patrimônio
individual do trabalhador-, além da proporção
mensal do que ele recebe em caso de ser demitido sem
justa causa.
Com
todos estes componentes incluídos no salário,
este trabalhador custa para a
empresa R$ 1.538,00. O valor dos encargos corresponde,
portanto, a R$ 308,90, que
representam 25,1% dos R$ 1.229,10, que é a remuneração
total do trabalhador.
Portanto,
um trabalhador contratado por R$ 1.000,00 não
custa para a empresa mais
102% (R$ 2.020,00), como afirmam os empresários
e seus representantes, mas R$
1.538,00.
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c) O peso dos salários no custo total de produção
no Brasil é baixo, em torno de 22%
de acordo com a Confederação Nacional da
Indústria (CNI). Uma redução de 9,09%
na
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jornada (de 44 para 40 horas) representaria um aumento
no custo total da produção de
apenas 1,99%.
d) Comparando-se este pequeno
acréscimo no custo
médio de produção com os
expressivos ganhos de produtividade, tal impacto é muito
possível de ser absorvido pelo
setor produtivo, isso sem considerar a perspectiva de
ganhos futuros de produtividade.
O aumento da produtividade
do trabalho entre os anos de 1988 e 2008 está em
torno de 84%, segundo dados do IBGE, para a indústria
de transformação.
e) Como o salário médio real, nos últimos
anos, não apresentou significativa
expansão, o expressivo crescimento da produtividade
do trabalho poderia ser
transformado na redução da jornada legal
de trabalho no Brasil, fato este que ocorreu
pela última vez há mais de 20 anos, na Constituição
de 1988.
f) A redução da jornada de trabalho sem redução
de salários contribuiria para a
melhora da distribuição de renda no país,
pois os trabalhadores poderiam se
apropriar dos ganhos de produtividade.
g) O Brasil tem um contingente
grande de desempregados – em
torno de 3 milhões, apenas
nas sete regiões metropolitanas pesquisadas pela
Pesquisa de Emprego e Desemprego
(PED), realizada pelo DIEESE, a Fundação
Seade e convênios regionais. A proposta
de redução da jornada das atuais 44 para
40 horas semanais tem potencial para
gerar mais de 2,5 milhões de postos de
trabalho.
h)
A duração da jornada efetivamente trabalhada
no Brasil é uma das maiores do
mundo. Soma-se a isso ainda a falta de limitação
semanal, mensal ou anual para a
realização de horas extras. Em diversos
países,
como Argentina, Uruguai, Alemanha,
França, há limitação anual
para a realização de horas extras
que ficam entre 200 e 280
horas/ano, em torno de 4 horas extras por semana.
O fim das horas extras teria um
potencial para gerar cerca de 1 milhão de postos
de trabalho. Por esta razão,é necessário
combinar a redução da jornada
com mecanismos que coíbam e limitem
a utilização das horas extras.
i) A jornada de trabalho no Brasil está cada vez
mais flexível, dado que às
tradicionais formas de flexibilização
do tempo - como a hora extra, o trabalho
em turno, o trabalho
noturno, as férias coletivas -, somaram-se novas
formas - como a jornada em tempo
parcial, o banco de horas e o trabalho aos
domingos.
j) Além de extenso e flexível, o tempo
de trabalho no Brasil vem sendo intensificado
em função das diversas inovações
técnico-organizacionais implementadas
pelas empresas como, por exemplo, a polivalência, a concorrência
entre os grupos de
trabalho, as metas de produção e a redução
das pausas.
k) Num contexto de crescente
demanda do setor produtivo para que os trabalhadores
se
qualifiquem, a redução da jornada de trabalho,
sem redução dos salários,
em muito contribui para este desafio
na medida
em que liberaria mais horas para que
o
trabalhador tivesse melhores condições
de se qualificar.
l) A redução da jornada de trabalho também
possibilitaria aos trabalhadores dedicar
mais tempo para o convívio familiar, o estudo,
o lazer e o descanso, melhorando a qualidade
de vida deles.
m) A combinação de todos estes fatores desencadeados
pela redução da jornada
de trabalho, sem redução de salários,
provocaria a geração de um círculo
virtuoso na
economia, combinando a ampliação do emprego,
o aumento do consumo interno, a
elevação dos níveis da produtividade
do trabalho, a melhoria da competitividade
do setor produtivo, a redução dos acidentes
e doenças do trabalho, a maior qualificação
do
trabalhador, a elevação da arrecadação
tributária, enfim um maior
crescimento econômico com melhora da distribuição
de renda.